sábado, 8 de novembro de 2014

Patrimônio Histórico do Município de Castanhal

                      Um dos patrimônios históricos existentes no município de Castanhal é uma réplica da locomotiva Castanhal 28, mais conhecida como “Maria fumaça”. Essa réplica da locomotiva fica localizada em uma das praças da cidade no bairro estrela simbolizando a antiga estrada de ferro que passou pela cidade. Este patrimônio serve também para que o passado e a história da cidade não fique oculta e esquecida. Muitos dos que residem em Castanhal, não sabem da importância deste patrimônio, e nem tão pouco reconhecem o valor da preservação deste patrimônio, existe ainda pouco reconhecimento e descaso sobre a valorização de um patrimônio histórico, diante disso, muitas vezes a locomotiva sofreu várias pichações, virou uma espécie de lar para moradores de rua, dentre outros tipos de indiferença em relação a este patrimônio.
                       Os trilhos da estação de Castanhal, passavam na avenida barão do rio branco entre a Maximino Porpino e a Magalhães barata, servia como uma referência comercial no centro do município.  A locomotiva de Castanhal, contribuiu com o progresso do povoado de Castanhal, pois sendo um dos poucos meios de locomoção, ajudava bastante nas cargas pesadas de um povoado para outro. Após a extinção das estradas de ferro, a estação de Castanhal foi demolida. A demolição da estação ocorreu no governo de Almir Lima, prefeito da cidade na época. Não há um consenso entre as fontes e os autores pesquisados acerca da data para a inauguração e demolição da estação. Segundo José Leôncio Ferreira de Siqueira a inauguração da estação de Castanhal teria ocorrido no ano de 1904 e sua demolição no ano de 1976, já segundo José Carneiro em uma matéria do jornal “O Liberal” diz que a demolição se deu no ano de 1971.
O prefeito antecessor de Almir Lima, Pedro Coelho da Mota foi quem comprou a locomotiva 28, com o objetivo de fazer com que a locomotiva fosse uma espécie de museu, representando a história e a importância da estação. Atualmente no município, existe um espaço chamado FUNCAST (casa de cultura) lá existe uma maquete que representa como era Castanhal nos tempos da estrada de ferro, e demonstra todo o percurso que o trem fazia, e a entrada da estação. Eis aqui, alguns relatos e informações sobre este patrimônio da cidade de Castanhal que é a locomotiva 28, famosa “Maria fumaça”. É preciso que a população em geral, compreenda o valor, a importância e o verdadeiro significado de patrimônio, é necessário que a sociedade reconheça sua própria história, identidade e cultura, pois somente assim poderemos dar valor as nossas raízes, a nossa cultura, e a nossa história.

                                                                        “Do passado restou o trem, semi destruído, adorno                            de uma praça, uma lembrança do início da riqueza.” (Jornal O Liberal, 28 de janeiro de 1991)



Estação na década de 1950



Demolição da Estação
Réplica da locomotiva em uma das praças da cidade

Maquete da estação na FUNCAST (Casa de cultura)


Patrimônio Histórico e Cultural


                 O Patrimônio histórico se apresenta como um reconhecimento que abarca os mais variados elementos culturais, através de um passado individual ou coletivo utilizando elementos materiais ou imateriais.  Antes, se pensava em coletividade apenas como um conjunto de indivíduos, a mesma nos levar a refletir nas mudanças que a sociedade sofre com o passar do tempo e com isso vai influenciar no que vamos denominar patrimônio, como vamos selecionar e como vamos preservar, mas para isso, é importante entender a trajetória do patrimônio no contexto mundial.
          A noção de patrimônio ganhou forças no século XIX, na revolução francesa, com a necessidade de elementos que pudessem contribuir para o não esquecimento do passado. Esses monumentos tinham que expressar os fatos da natureza singular e grandiosa, nesse caso a preservação do passado mostrava uma noção de “melhoria”, “evolução” e “progresso” neste período.  No século XVI, o renascimento vai produzir mudanças importantes para esse século com os humanistas que serão os criadores dos antiquários que utilizavam para guardar suas edições que vinham da antiguidade como: moedas, inscrições em pedras, vasos de cerâmicas, dentre outros. Na antiguidade, com o predomínio da igreja nos séculos IV-V e na idade média nos séculos VI-XV, mesmo com o caráter aristocrático do patrimônio acrescentou-se o simbolismo religioso, de valores sociais, adoração aos santos e a valorização das relíquias. Esse simbolismo religioso na idade média, ofereceu à população daquela época um sentimento de patrimônio íntimo, a valorização dos lugares e objetos e dos rituais coletivos. Em Roma, a população de classe baixa não tinha o direito de propriedade, pois o patrimônio da sociedade romana era um valor aristocrático e privado, o patrimônio pertencia somente a elite romana. Em outro momento, a família seria imagem de patrimônio, assim, não somente os bens materiais como escravos, seria o patrimônio do senhor, mas a mulher e seus filhos também. 
            Ao analisarmos a trajetória do patrimônio, podemos entender a existência de algumas dificuldades de preservação que ainda temos. Na América Latina mesmo com toda política existente sobre preservação do patrimônio, ainda enfrenta-se obstáculos como, a associação da preservação dos nossos patrimônios culturais e sociais ao desenvolvimento urbano e a escolha de que seria importante ou não manter pois embora a implantação das leis representem um avanço significativo, causou em uma parcela da população, uma expropriação cultural, ou seja, um sentimento indiferente, um não reconhecimento de identidade com os exemplos arquitetônicos públicos ou religioso

Fonte: PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL- PEDRO PAULO FUNARI E SANDRA C.A PELEGRINI